A história do judô no Brasil PDF Imprimir E-mail
Escrito por Administrator   
Dom, 08 de Outubro de 2006 23:32
  Conde Koma, o percusor do judô no Brasil


                                                     

 
A introdução do Judô no Brasil

Trabalhos elaborados sobre a Historia do Judô dentro do Brasil são muito raros, sendo poucas publicações específicas. Alguns relatos são mencionados na introdução de livros técnicos ou trabalhos gerais (Virgílio,1986 Manual de Educação Física, 1979 Soares, 1977 MEC, s.d. Garcia, 1995 Amorim, 1997). Nestes trabalhos relacionam o pioneirismo de Mitsuyo Maeda na demonstração, divulgação e introdução do Judô no Brasil. Já Hunger (1995), cita que o “Judô chegou no Brasil em 1908, 26 anos depois da fundação da Kodokan”, além de relatar a escassez da bibliografia sobre o assunto, relatando apenas em 1922, surge no país o nome de Maeda.

Calleja (1979), relata a importância da imigração japonesa para introdução do Judô no país, e diz “tal fato ocorreu de forma desordenada e sem nenhum planejamento. Lamentavelmente, não houve uma missão oficial, com o intuito de divulgar, segundo os princípios da Kodokan”, o que seria realmente o novo método do jujitsu. Esse relato demostra a dificuldade de determinar as formas de introdução e divulgação do início do Judô para o país. Apoio para esta idéia advém do professor Massao Shinorrara (9º Dan) em Virgílio (1996), que afirma que o judô foi implantado no Brasil por volta do ano 1908 ou pouco mais, com o advento da “imigração japonesa, cujo primeiro contingente chegou ao porto de Santos em 18 de junho de 1908, a bordo do navio Kasato Maru, com referências ao Judô, entretanto não há registros de nomes, datas e locais”. Coloca-se portanto que o Judô nesta primeira instância veio para o país de forma agregada a cultura do imigrante japonês, que eram principalmente agricultores.

Conde Koma

O personagem que mais possui crédito para ser considerado o precursor do judô no Brasil é o Conde Koma, cujo nome seria Mitsuyo Maeda (Hunger, 1995), ou como alguns autores citam, Eisei Maeda (Calleja, 1979), apesar de ter aparecido anos após a entrada dos primeiros imigrantes japoneses, Maeda vem como divulgador do Judô e Jiu-jitsu. Segundo a Biografia de Maeda na História Seriada (s.d.), Maeda veio para a América, primeiramente nos Estados Unidos como enviado especial da Kodokan para divulgar o Judô, coloca-se ainda que vieram junto com ele quatro personagens importantes, Tomita, Sakate, Ono e Ito, percorrendo desde os Estados Unidos, América Central até a América do Sul. Vieram para divulgar a “arte do Kodokan” por demonstração e em combates de desafios (“Vale Tudo”).

Existe uma controvérsia sobre a chegada de Maeda no país, alguns autores adotam datas diferentes para a sua chegada, como Calleja (1979) que cita final da década de 20 e início da de 30, Virgílio, (1986), início da década de 20, Soares (1977), determina 22, junto com Hunger et al. (1995), entre outros autores, recentemente, porém, em artigo na revista Judô, Rildo Eros, relata a chegada do Conde Koma, através da cópia do passaporte de Maeda cedido por Gotta Tsutsumi (Presidente da Associação Paramazônica Nipako de Belém, revela que sua chegada ao Brasil teria sido em Porto Alegre no dia 14 de novembro de 1914 teria ganho o apelido de Conde Koma devido a sua elegância e semblante sempre triste. No Brasil ele teria percorrido o caminho de Porto Alegre onde teria se exibido pela primeira vez, seguindo depois para o Rio de Janeiro, São Paulo , Salvador, Recife, São Luiz, Belém (outubro de 1915) e finalmente em Manaus, no dia 18 de dezembro do mesmo ano. “A primeira apresentação do Grupo Japonês em Manaus, intermediado pelo empresário Otávio Pires Júnior, foi em 20 de dezembro de 1915, no teatro Politeama”, sendo apresentadas técnicas de torções, defesas de agarrões, chaves de articulações, demonstração de armas japonesas e desafio ao público. Hunger et. al. (1995), coloca que Maeda teria também oferecida seus serviços para ”a Academia Militar e o Exército, os quais incorporaram a prática do Judô no treinamento dos Militares”.

Virgílio em 1986, afirma que Maeda haveria criado uma escola em Belém do Pará, onde teve relativo sucesso, sendo que falecera nesta cidade em 1941. Virgílio também coloca que dos vários alunos que frequentaram sua academia, restou apenas a família Grace para dar continuidade ao seu trabalho, tendo progredido e fundado novas escolas em algumas capitais e projetando no cenário esportivo Brasileiro.

Imigração Japonesa

Vários autores também concordam com o surgimento da prática do judô devido à imigração japonesa desde o ano de 1908 (Soares, 1977 Virgílio, 1986 Calleja,1979Hunger et al., 1995), pelo caminho já mencionado pelo professor Massao Shinorrara (ver item 2.2.1.), mantendo segundo estes autores uma difícil chance de divulgação ao público em geral pela prática ser mantida apenas em suas colônias. Por esses fatores, apenas aparecem as citações sobre a presença deste fato, porém com pequenas referências e conhecimento de como eram essa prática e seus principais personagens. Contribuindo para as contradições existentes, há um relato em Virgílio (1996), que refere-se a um professor Miúra , que haveria ensinado o Judô em 1903

Participações complementares para o desenvolvimento do Judô nacional

Outros personagens também apresentam-se como importantes perante a iniciação da consolidação do judô nacional, entre eles Soares (1977) destaca, que a maior difusão se deu em São Paulo e Rio de Janeiro, por onde passam ou surgem grandes praticantes. O autor destaca a importância da presença do professor Kotani no país em 1939. Ainda Soares (1977) considera que Takeo Yano, Yassuiti Ono, Teronozuke Ono, Noburo Ogino, Ogawa, Omar Cairuz como os precursores do Judô e determina também que “a denominação Judô aparece pela primeira vez com a Academia Cordeiro”.

Existem referencias de um Japonês de nome Takaji Saigo, podendo ser ligado a Kodokan. Este abriu uma academia em São Paulo. Outro personagem é Geo Onori, que em 1929, demonstrava o Judô em circos e aceitava desafios (Hunger et al., 1995).

Já Virgílio, 1986, apresenta o nome de Tatsuo Otoshi que chega ao Brasil em 1929, seguido de Katsutoshi Naito, Sobei Tani, Ryuzo Ogawa e outros como referência a grupos que se formaram como conseqüência da chegada do Kasato Maru. Também distingue-se a presença de Yasuichi Ono, que chega em 1928, que devido a sua dedicação pelo Judô, “fez jus a que seu nome fosse inscrito com todo mérito na História do nosso esporte” (Virgílio, 1986), Ono abre sua “academia-mãe” em 1932.

Virgílio (1986) também define o trabalho de Ryuzo Ogawa, que chega ao Brasil em 1934, como sendo um idealista que objetiva um trabalho iniciado em 1938 para organizar e difundir o Judô com grande amplitude e ideais mais elevados. Ele procura separar o Judô definitivamente do Jiu-jitsu, projetando o esporte na preferência dos brasileiros. “Esse trabalho foi a conquista final para a confirmação do Judô no Brasil”


Evolução de prática corporal para modalidade esportiva

O Judô como prática corporal oriental torna-se durante as últimas décadas em modalidade esportiva, surgindo a federação de âmbito internacional, estabelecendo as regras e padronizando as técnicas (Hunger t al., 1995). No Brasil, antes da fundação das federações específicas, o Judô, que era associado ao Jiu-jitsu, sofria diversas interpretações e a Federação Brasileira de Pugilismo, que controlava os “esportes de ringue” define as regras dos encontros das lutas no Brasil em 1936 (MEC, s.d.). Calleja (1979), aborda o surgimento de uma entidade não oficial no período de 1933 até 1942, denominada Federação de Judô e Kendô, que “tenha divulgado e preconizado o verdadeiro Judô Kodokan” (Calleja, 1979), mas existe a necessidade que se criassem entidades oficiais de acordo com a legislação vigente, fato esse que culmina com a fundação, em 1958 da primeira “federação especializada em Judô: a Federação Paulista de Judô” (Calleja, 1979).

Fundação das Federações e da Confederação Brasileira de Judô

Calleja (1979) coloca como um dos principais fundadores da Federação Paulista de Judô e presidente durante 10 anos consecutivos o Dr. José Lúcio Moreira da Franca. E que após o pioneirismo de São Paulo, outros Estados pouco tempo depois fundaram suas Federações: Minas Gerais e Paraná.

A Confederação Brasileira de Judô órgão máximo do país, segundo Sugizaki (s.d.), fora “fundada em 1969, sendo reconhecida somente a partir de 1972”, contando com 23 federações estaduais. Segundo ainda Sugizaki (s.d.), a Federação Paulista conta atualmente com mais de 300 clubes e associações desportivas filiadas.

Primeiras competições no Brasil


Soares (1977) aponta a primeira competição da Budokan, em São Paulo, em 1948. Já o primeiro campeonato Brasileiro, realiza-se entre 14 e 16 de outubro de 1954, evento este sediado pelo Tijuca Tênis Clube do Rio de Janeiro, contando com a participação dos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e o então Distrito Federal, lembrando que, foi realizado antes da fundação da Confederação Brasileira de Judô, portanto este evento estava “sob os auspícios da Confederação Brasileira de Pugilismo

Referência
Parte do artigo “Reflexões sobra à história do judô no Brasil”, escrito por Alexandre Janotta Drigo.
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